domingo, 11 de setembro de 2011

RELATIVO PINDORAMA

 Relativo Pindorama.


A etnia indígena está distante da nossa prática social cotidiana? Ou perdemos ou nunca tivemos traços indígenas como querem vários antropólogos? Antropólogos são sonhadores. Talvez não estejamos pedindo ao deus certo. Maí nos espera e índio Kaapor não pede, vai atrás daquilo que ele quer – terra, água, fogo, ar e comida. Aqui em casa alguém está fazendo algo para que eu possa descansar e se alimentar. A terra, o fogo, o ar, a água...é paga. Sequer reconhecemos um capim. Lá na aldeia cipó por onde Jabuti anda vira fonte d´água. Uma água fresca, pura e com propriedades medicinais. A água que eu bebo aqui em casa, tem o poder de me transformar em um monstro. O mal não chegou pelo céu, chegou pelo meu encanamento. Como faço para mandá-la para o fim do mundo? Só os Boskimanos podem me dizer. Nessa terra de tempo, espaço e conflitos. A fome surge mesmo quando não sentimos fome. Farinha? Para onde a gente vai carregamos a nossa alimentação, como se a fome que não sentimos estivesse sempre do nosso lado. Os kaapor estranhamente por onde andam não carregam alimentos, só a família: bichos, crianças, mulheres, homens e ornamentos mínimos.
Os kaapor não são fedorentos, tomam muito banho, teria dito um funcionário da FUNAI que ainda acha que os índios são sujos e bagunceiros – Ética branca eurocêntrica. O leite dos kaapor não dá em vacas, dá em árvores. Leite vegetal. Mas pra quê estamos preocupados com as terras dos índios se a coca-cola ferve gelada dentro das nossas geladeiras? Estaremos finalmente vendo-os como irmãos étnicos. As festinhas em homenagem ao dia do índio não deveriam fazer parte do nosso cardápio pedagógico. Temos um gosto extremamente perverso. Herança branca-lusitana? Os portugueses nunca foram santos, nem demônios. Seres humanos que se adaptaram ao meio que eles mesmos fizeram. Condicionaram-se a adorar a coca-cola. Senão deus castiga. A culpa acaba sendo mais consumida do que carro. Por isso tantos comerciais de carro, mesmo com o número recorde de mortos em trânsito no país. Em qualquer país.
 Oh ! Brasil-pindorama lembre-se do profeta Gentileza que pregava o amor nos muros cosmopolitas da cidade do Rio de Janeiro. Um Móises do século XX que pregava a irmanidade – este sentimento de ser irmão, partícipe do mundo, parte integrante da natureza.


 Rudhi Roth

Texto não-científico baseado nos vídeos sobre os Kaapor e “Os deuses devem estar loucos”