FAZER LIVROS
Graças à tecnologia e, ironicamente, em oposição à produção em massa por ela impulsionada, as pequenas editoras garantem seu lugar ao sol com publicações personalizadas, de baixo custo e com tiragens limitadas. Mas isso não é de hoje. A Hogarth Press, editora fundada por Virginia e Leonard Woolf em 1917 e cuja sede era a sala de jantar do casal em Richmond, subúrbio londrino, publicou autores até então inéditos em língua inglesa {como Freud, Tchekov e Tolstói} ou ainda pouco conhecidos na época, como Katherine Mansfield, T. S. Eliot, E. M. Forster e outros do chamado Círculo de Bloomsbury. Além disso, os próprios Leonard e Virginia {interpretada por Nicole Kidman em As horas}, que usavam a prensa manual da foto abaixo, compunham os tipos, imprimiam, costuravam e encadernavam os livros, enquanto as capas, desenhos, ilustrações e xilogravuras das edições eram criados por Vanessa Bell, pintora e irmã de Virginia.
Quase um século depois, a idéia de fazer os próprios livros continua mais viva e vanguardista do que nunca graças a jovens editores e seu desejo de publicar novos artistas -- escritores, fotógrafos, ilustradores, designers -- que as grandes casas editoriais acabam, por limitações de número de títulos ou imposições estratégicas, ignorando. No Brasil, a Livros do Mal {Porto Alegre}, Fina Flor, Editora do Bispo, Ciência do Acidente {São Paulo}, Edições K {Salvador} e Kafka edições baratas {Curitiba} são exemplos de resistência à "ditadura" do mercado editorial. Algumas dessas editoras ainda estão na ativa e outras, com a placa de "volto logo" na porta, mas o importante é que a iniciativa de publicar permanece.
Lá fora, muitas das editoras independentes contam com a internet como o maior e principal canal não só de divulgação como de vendas. Basta acessar os sites e conhecer os catálogos que, aparentemente tímidos ao primeiro clique, surpreendem pela qualidade das obras. A hassla books e a Ugly Duckling Presse {Estados Unidos}, a Farewell Books {Suécia}, a Nieves Books {também livraria, na Suíça} e a Unagi Books {Alemanha} publicam e vendem desde zines e revistas aos chamados "livros de arte" em tiragem limitada -- em geral, de até 500 exemplares por título, como Bend The Void, do artista gráfico americano Geoff McFetridge -- com o apoio de livrarias com a mesma proposta de incentivar e lançar novos nomes, como a Analogue Books {Edimburgo}, Pro qm {Berlim} e Nieves Books {Zurique, cidade natal do Dadaísmo}, que funcionam, paralelamente, como galerias.Já para quem quiser fazer o próprio livro {literalmente!} sem recorrer a editoras, opções também não faltam. Serviços on-line de self-publishing {"autopublicação"} como os já populares Blurb e Lulu permitem aos usuários carregar arquivos e fazer, passo a passo, álbuns de casamento, livros de fotos etc. em diferentes formatos e com tipos de papel e encadernação à escolha, além de vender os exemplares diretamente por meio desses sites. Outra opção é o print on-demand, que utiliza máquinas que lembram fotocopiadoras para transformar arquivos em livros com capas e formatos pré-programados.
Por sua vez, as empresas especializadas em livros por encomenda, como a Editoras Associadas {cuja sócia eu conheci em um curso na Universidade do Livro}, oferecem aos clientes -- na maioria corporativos -- soluções sob medida desde a escolha do assunto ao acabamento final. No Japão, país com maior número de publicações ao ano, os livros por encomenda são comuns e muitos deles chegam ao topo das listas dos mais vendidos, a exemplo de Tokyo Style, de Kyoichi Tsuzuki. E quem se interessa por encadernações, restaurações ou impressões à mão, originais e à moda antiga, pode recorrer a empresas como a Paper Dragon Books, a Port2port Press e a five and half ou apenas se inspirar nas muitas das suas ótimas idéias.
Por último, um livro fabuloso {via SouleMama} para quem gosta de livros artesanais e, o mais importante, quer aprender a fazê-los: How To Make Books, de Esther K. Smith. Eu já vou encomendar o meu para ler depois que terminar Leonard and Virginia Woolf as Publishers: The Hogarth Press, 1917-41.
Fonte: ogatoquele.blogspot.com

A Maloteca é uma editora artesanal, independente, criativa e que acredita na sustentabilidade como possibilidade de suporte. O seu destino é caminhar feito caxeiro viajante, levar os escritos-objetos (e tudo que pintar na cabeça) do multiartista Rudolf Rotchild e dos seus amigos aos campos literários do Brasil e da Língua Portuguesa.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
-
Bloglivro n° 1 A RAIVA Prefácio Querido leitor este bloglivro é um livro de auto-ajuda, por ser um livro que estou fazendo para mim mesmo, p...
-
FAZER LIVROS Graças à tecnologia e, ironicamente, em oposição à produção em massa por ela impulsionada, as pequenas editoras garantem seu lu...
-
DEVOTOS DE KRISHNA, DANDO LUZ AO EVENTO MAIS DEVOTOS... EMBALAGEM DE LIVRO ARTESANAL DEZ PALAVRAS VERSÃO ATAFONA - SJB
Um comentário:
Rot, muito bom, envia para o Jiddu, que tem a Mala da Fama e-mail jidduks@uol.com.br
grande abraço
artur gomes
Postar um comentário