Caminho Trôpego - Crônicas Urbanas (catálogo)









LIXO CARBNAVALESCO OU ARTE PÚBLICA?


Fazendo um caminho em algum lugar do interior de São Paulo, bem próximo do Rio Paraíba do Sul, deparei-me com enormes esculturas de isopor, fantasias e carros alegóricos bem enfeitados. Restos do carnaval local?
Fiquei pensando o que podíamos fazer com todas aquelas obras de arte que estavam ali expostas ao ar livre para todo mundo que passasse. Não precisávamos pagar nada para admirá-las. Podíamos fotografar a vontade, até tocar. Uma galeria a céu aberto, que iluminado pelo sol compunhava o cenário em deslumbres. Duas meninas, que passavam por ali, tiram fotos juntas dos carros na ânsia de guardarem uma lembrança do Carnaval de 2011.
Onde estavam os artistas para receberem os aplausos? Em suas casas? Trabalhando por aí? Gostaria de conhecê-los com toda a dignidade. Dialogar, conhecê-los, propor novos projetos de trabalho. Alimentá-los de esperança. Os artistas de carnaval podem se manter vivos pós-carnaval. Só precisam de incentivos reais e concretos. Deixo uma ótima ideia de projeto de incentivo público: deveríamos em todo final de carnaval deixar as esculturas em exposição à céu aberto intencionalmente como prova de que o povo é criativo e tem os seus artistas natos. As obras de arte que estava observando estavam ali por um acaso. Provavelmente não houve tempo hábil para serem transportadas para os barracões das escolas.  Os artistas das comunidades carnavalescas costumam ficar no ostracismo e no anonimato. Grandes artistas que ficam escondidos. Com vontade política podemos modificar esta realidade. Santos  Vereadores olhai por nós!
Enquanto isso, eu, encantado, estava ali... Fotografava tudo como um jornalista iniciante que se encanta com a primeira matéria.  Vários clicks de uma câmera celular de três megapixels.  Baixa resolução, mas bastante funcional. Um caminhante inato da orla, creio eu, que passava por ali, teve a mesma sensibilidade que a minha, e fez o seguinte comentário elogioso: ____Bonito à beça!  Concordei e continuei fotografando em ângulos diversos. Pensei com os meus botões, como isso pode ser considerado lixo, meu Deus. Daqui a pouco quando a prefeitura desarrumar tudo (a passarela do samba), essas belas esculturas correm o risco de virar cinzas. Esse é o preço que pagamos de não ter uma cultura de valorização artística e patrimonial. Essas esculturas de isopor, senhoras e senhores, são patrimônios populares e deveriam ficar guardadas em espaços culturais, escolas, projetos sociais, dentre outros lugares que possam oferecer a reconstrução dessa história que de alguma forma estão bem aqui, na frente dos meus olhos.
Até breve!




PUNIÇÃO E RECOMPENSA.
Caminhando pelas ruas de Guaratinguetá, adentrei-me no Grupo Espírita Amor e Luz, instituição religiosa de tradição na cidade. Pude receber o acolhimento dos seus membros. Toda terça-feira de 15hs às 16hs acontece uma reunião, onde se estuda o evangelho do Cristo segundo o Espiritismo, seguido de orações e passes. Benfazejo! É como você sai de lá. Nesta semana a reflexão foi sobre um tema que se parece com uma moeda de duas faces: punição e recompensa. Como ainda vibramos nessa crença de culpa e medo. Pare um pouco para pensar, reveja as suas atitudes. Quando erramos costumamos nos punir de forma consciente ou inconsciente. Dificilmente nos responsabilizamos. Para tentar sanar as nossas dívidas buscamos os jogos no intuito de recebermos a recompensa pelo sofrimento vivido. 
___Nossa faz tanto tempo que estou nesse sofrimento, merecia uma recompensa?
As nossas esperanças são focadas em algum bicho sonhado ou em seis ou no máximo dez dígitos aleatórios. Acreditamos na sorte e no azar ao mesmo tempo. Nessas horas em que erramos ou em que acertamos por sorte, esquecemo-nos da maior força presente no Universo, o AMOR.
Nós não estamos aqui para sofrer, mas também nós não estamos aqui para ser premiado, recompensado sem nenhum movimento proativo. Nada acontece por acaso.
Nós estamos aqui para brilhar através do AMOR. Para isso precisamos aceitar o PRESENTE. Se dou resistência, recebo resistência, se dou medo, recebo medo, se dou dor, recebo dor, se dou amor, recebo amor.
Escolhemos sermos felizes, afinal "gente é pra brilhar e não para morrer de fome".

Caminho
s.m. Qualquer faixa de terreno destinada ao trânsito de pedestres ou de veículos; estrada, vereda, atalho, 
picada.

Espaço a percorrer de um lugar para outro: a linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos.
Meio de alcançar um resultado; norma de proceder: o caminho do sucesso.
Náutica Ant. Rumo marítimo: o caminho das Índias.

Caminho de ferro, via de comunicação que utiliza veículos sobre trilhos de ferro entre cidades, países 
etc.; estrada de ferro.

Trôpegoadj. Que anda com dificuldade, mancando. / Que tem dificuldade ou impossibilidade de mover qualquer dos membros.







ROBSON E A SUA DESERTA ILHA


Caminhando costumeiramente para chegar no meu local de trabalho, vi na calçada da E.E Conselheiro Rodrigues Alves, o conhecido Instituto, um jovem caído no chão. Por alguns segundos observei-o com compaixão e escrevi esta crônica:
Acordei no chão da calçada como se eu fosse um barco naufragado. Todos os meus amigos estão mortos-vivos, compulsivos em pedras sem brilho que são fumadas em cachimbos feitas de lata. Nunca vi algo tão horroroso e destrutivo. O sol escaldante batia em minhas costas. Olhei ao meu redor e não vi ninguém conhecido, estaria numa ilha deserta?
Estava sujo, com sede e fome, sentindo-me abandonado. Tornei-me invisível. Falava com as pessoas, mas ninguém me respondia, ninguém me dava atenção. O medo começou a me tomar conta.
 
Acordei no chão da calçada como se eu fosse um barco naufragado. Todos os meus amigos estão mortos-vivos, compulsivos em pedras sem brilho que são fumadas em cachimbos feitas de lata. Nunca vi algo tão horroroso e destrutivo. O sol escaldante batia em minhas costas. Olhei ao meu redor e não vi ninguém conhecido, estaria numa ilha deserta?
Estava sujo, com sede e fome, sentindo-me abandonado. Tornei-me invisível. Falava com as pessoas, mas ninguém me respondia, ninguém me dava atenção. O medo começou a me tomar conta.
 
Aquela pedra sem brilho algum... recordava-me que a tinha tocado com os lábios. Pura lascívia do diabo. Isso tudo para tentar ter coragem para chegar numa mina que há muito tempo eu olhava na escola. A biga de cigarro que observava no canto do paralelepípedo me convidava para uma fumada. Distrairia a minha fome por um tempo que parecia não passar. Horas, minutos, segundos não tinham mais sentido.
Mesmo sentindo muito frio tratei de arrumar um canto qualquer para dormir. Debaixo da ponte onde o rio passava estreito. Natália cadê você? O sono demorou a chegar.
Noutro dia ainda com muita fome tentei encontrar os caras que tinham me apresentado à pedra sem valor e sem brilho algum. No lugar onde eles estavam só encontrei um cachorro velho, uma gata manca e diversas balas estragadas que não serviam para nada. Nem para por em cima da linha do trem para serem estouradas.
Existe um lugar que os invisíveis freqüentam e não incomodam, fazem até um favor para a sociedade.
Estou falando do Mercado Municipal. Lá tem umas frutas e legumes que ficam pelo pátio à vontade. Quanto mais a gente cata, menos sujeira fica. "Meu futuro não parecia tão bom... Na verdade prometia ser triste, com poucas esperanças de salvação." – Estava escrito num pedaço de papel de açougue sujo de sangue de carne. Será que tinha mais alguém nessa ilha? O maluco que escreveu isso, falava exatamente como eu estava me sentindo.
Apesar da fome ter passado por hora, desanimado chorei muito, mas nenhuma lágrima saia dos meus olhos. Estaria desidratado? Seco por dentro? Subitamente senti uma raiva de Deus: Foda-se o pai eterno. Por que ele me abandonou? Por que ele deixou que esta tragédia abatesse sob a minha vida? Eu não consigo entender. A única coisa que eu pensava era em fumar aquela pedra de novo para suportar a dor de não tê-la por perto. (...)
As alucinações tomavam conta de mim, o rio tinha se transformado em uma grande cobra amarela, todos aqueles que tentavam me ver ficavam cegos como se eu tivesse cabelos paralisantes como medusa. Arrebatamento? Não, eu não quero morrer aqui no meio da rua, sozinho. Eu não quero morrer. Não, eu não quero...(...) Outra noite se aproximava, mas muito mais assustadora. A solidão tomava conta do meu ser, de todo o meu ser. Quem eu podia recorrer?
 
Um pássaro branco parecido com uma pomba pousou em meus ombros como quem pousa nos ombros de uma estátua da Praça Conselheiro Rodrigues Alves. Seria a paz? A presença da paz? Olhei para o lado e vi a minha família se aproximando, por um instante achei que estivesse sofrendo novamente aquelas desastrosas alucinações. (...)
Eu não acreditava no que estava acontecendo. Depois de algumas péssimas horas nessa deserta ilha, a minha família guiada pelos ventos da Mãe Natureza conseguia me resgatar.


Esperança...






ENGENHEIROS PASSOS


A caminhada de hoje foi bem interessante. Conheci uma comunidade que ainda não conhecia. Engenheiro Passos. Pertence a Resende e faz fronteira com Queluz (Município do Estado de São Paulo). O que me motivou? Fui para fazer um contato profissional com a Escola Estadual do lugar. Deixei meu CD Portfólio/Currículo para que no futuro possa servir para alguma coisa. Esta escola costuma abrir espaço para instrutores de arte por conta do Projeto Mais Educação que tem como objetivo, no meu entendimento, de incentivar o estudo dos alunos através da Arte. Maravilha nê. A arte é o meio. Preciso saber mais sobre este projeto.
 Mas falando de Engenheiro Passos... Pacata comunidade, cortada pela Rodovia Dutra. Apresenta uma tranqüilidade dos campos, clima de roça. No seu centro tem a Igreja de São João Batista que se encontra em festa neste mês de junho. Engenheiro Passos se assemelha a um arraiá - antigas comunidades do século XIX. As ruas, o formato das casas, lembram casebres do século dos Senhores do Café. Casebres que parecem Armazéns. Parece que as pessoas daqui se conhecem há muito tempo, guardam segredos. A impressão que dá é que quando alguém faz alguma coisa "errada", ou é expulsa, ou sofre um bocado de preconceito por ser diferente. Comunidades fechadas costumam ser mais moralistas em seu aspecto sócio-funcional. Assim os conflitos não ocorrem. Este lugar deve guardar muitas histórias que merecem ser pesquisadas.
Estou aqui passando as minhas impressões poéticas em forma dessa breve crônica. Deve ser bom morar aqui para quem gosta de sossego e paz. Eu me acostumaria? Antes teria que me transformar, romper muitos paradigmas modernos. Ainda sou muito apegado aos gozos materiais e sensoriais do corpo. Contudo agora pratico o gozo da alma, do espírito. Estar aqui sentindo a tranqüilidade desta comunidade e escrever sobre ela é um baita gozo d´alma. Vale à pena, quando a alma não é pequena. 


Amanhã temos mais caminhada.







COMEÇAR DE NOVO EM RESENDE

 

Estou em Resende disposto a mais uma caminhada. Recordo-me da música de Ivan Lins - Começar de novo. Já reparou na letra? A única pessoa que eu posso contar neste começar de novo, sou eu mesmo. Caminho por uma rua no bairro Jardim Jalisco que tem como cenário o pico das Agulhas Negras. Muita beleza. Isso é que vale. A vida deve ser vivida sem ansiedade, com poesia, sem apavoramento. A música de Ivan é um tanto melancólica, mas tem nos versos iniciais uma sapiência. Repito: "começar de novo, e só contar comigo, vai valer a pena." O resto da música é triste, prefiro ficar só com esta frase.
 Bom, quem sabe em alguma composição no futuro eu possa estar usando-a como incidente sonoro. Dobro uma esquina, suba uma ladeira, canto Hare Krishna. Esta crôniquinha tem haver com dois dias. Hoje são 17, ontem foi 16 de junho. Ir em busca daquilo que você acredita é foda.
Começar de novo em Resende. A sensação que estou começando do zero. Estou começando de novo mesmo. Daí tornei-me um artesão associado. Fui até a Associação dos Artesãos de Resende e me filiei. Em breve estarei expondo e vendendo os meus livretos artesanais em feiras. Se quiser conhecer um pouco do meu trabalho vai no blog: maloteca.blogspot.com. Legal é que a associação fica na antiga estação de trem. Onde tudo começa, onde tudo termina. Aonde as pessoas chegam, onde as pessoas partem.
 "Começar de novo e só contar comigo", com a minha parte mais divina "Vós sois deuses" - não foi isso que disseram. Busco esse Deus Interior. Contar com ele.
 Acredito que foi ele que me trouxe até aqui. Ainda não sei para quê ou sei e não quero dizer. Essa sensação de começar de novo... Parece que eu voltei 20 anos na minha existência. Vejo-me lá em Ipatinga, acreditando na vida, o que será de mim? Vivendo. Começando... Ainda novo, tinha 17 anos, cheio de sonhos... Aí me vejo com quase 40 anos começando de novo como se tivesse 17 anos. Ainda cheio de sonhos. Será que a vida é um começando? 
Busco novos paradigmas.
Amanhã tem mais caminhada. Começar sempre de novo.





UM CAFÉ, UM PÃO DE QUEIJO E CAMPOS ELÍSEOS

Caminhando por Resende, encontro o seu Champs Élyssées. Na verdade esse encontro acontece religiosamente todo o sábado. Eu caminho por ali em busca de alguma novidade. Nada diferente, mas gosto de andar pelo calçadão de Resende. Nada se compara ao de Paris e a outros tantos calçadões que já caminhei, mas um espaço público onde as pessoas se olham e se encontram, tomam um café, joga conversa fora, come um pão de queijo, paga uma conta, compra uma coisa... Uma feira, uma praça, um mercado nos moldes da burguesia na Idade Média.

Viva o Capital. Reclamamos do nosso salário, mas não renunciamos esta caminhada de feitiche consumista. Caminhamos, só caminhamos. Não compramos nada. De tanto olhar para o comércio, dá uma vontadinha de passar o cartão, comprar aquele scanner que não tenho ainda. Humm... Tomo uma água, respiro, almoço no restaurante pimenta malagueta. A balança desse restaurante tem vista, não é cega como as outras... é o que me parece. Caminhando... Não dá pra comer uma torta doce do Sabor e Arte? Está entendendo o que estou falando? Caminhar em Campos Elíseos é sinônimo de consumo. Saí dali, pelo menos neste sábado, apenas com um saco de areia para gatos, mais shampoo para caspa, mais dois sabonetes glicerinados e só. Para quem não ia gastar nada.

Amanhã tem mais caminhada.






CAMINHANDO NA CORTE


Há alguns anos atrás estive caminhando pela Corte. Refiro-me a Cidade do Rio de Janeiro, que mesmo depois de não ser mais sede da Corte Portuguesa ainda mantém status e clima do mesmo. Sei que muitos não concordarão. Mas quem tem alma de metrópole sabe do que eu estou falando. É bom estar na Corte. Visitar os seus pontos históricos que são muitos. Nenhuma Capital consegue oferecer tamanha mágica de ser. Estive na Urca/Praia Vermelha, próximo a Universidade do Brasil, a primeira instituição do Brasil. O meu destino era o prédio da Unirio. Bem perto dali estava o bairro do Botafogo. Os seus prédios são do passado, são do futuro. Caminhar na Corte nos dias atuais tem ser feitos de carruagem de ferro, os ônibus, os carros, os táxis, etc. A Corte oferece tudo de bom, ou tudo de ruim, resta sabermos escolher. Espero escrever mais sobre esta minha caminhada sofisticada. Contudo, querido leitores, se é que os tenho, o meu compromisso agora passa a ser mais preciso. Até a próxima caminhada.






CAMINHAR É UM DESAFIO


Caminhar pela vida sem ferida é uma questão de escolha. Caminhar é o interrupto. Você é capaz de dar a volta em São José do Barreiro e voltar sem dor? Diria um guardião do tempo que fica parado em frente a Parada do Milho todos os dias pontualmente às 13 horas da madrugada. A Parada do Milho é um restaurante que fica no Centro Histórico de Resende que guarda particularidades bastante valorosas.
Respondendo ao guardião do tempo: Eu sou capaz de ir a São João de dia, para isso vou para a academia de músculos e exibicionismos. Preparo-me todos os dias. Não me dê como frouxo. Um dia eu irei pedalando ou caminhando até São José do Barreiro. Será o meu caminho de Santiago de Compostella. Chegando lá visitarei a Igreja, pedirei um copo d´água na sacristia. O padre me oferecerá uma taça de vinho. Não seu padre eu não bebo?  Mas meu filho é o sangue do Cristo. Não, eu não bebo o sangue de Cristo, prefiro as lágrimas de Mamãe Oxum. Sabiam que as cachoeiras são lágrimas de Oxum. Lavarei meus cansados pés na Cachoeira do Veado. Animal que acompanha Oxum de perto e de longe. Não sabia? Pois é amigos agora fiquem sabendo.
Chegando em São José do Barreiro pedirei para entrar na Fazenda de São Benedito. Acenderei uma vela para o Santo em agradecimento a minha chegada naquela cidade defronte ao seu Oratório Histórico do Século XVIII. Como voltarei para Resende? Olhando ao longe a um grande lago, tive uma ideia? Será que ainda existem índios puris na antiga Estrada das Barreiras (Impostos)? Tomando uma pinga no boteco da praça, ouvi um preto velho dizer que debaixo das matas ciliar da direita existe uma pequena oca feita de Juçara. E que lá vive um cacique ancião esquecido pelos outros índios. O estranho da história é que Índio nunca esquecia o seu cacique em mata desconhecida. Os puris assim como os brancos, passavam por São José a fim de seguir viagem para a Serra da Bocaina. Depois de escutar aquela conversa, tratei de caminhar em direção a pequena oca Puri. 






CAMINHADA SOLITÁRIA

Na caminhada solitária e diária dobro a esquina como de costume em direção ao Cine Vitória, atualmente Teatro Municipal de Resende, e faço versos que ninguém quer ler.
 O que importa? O mundo está com as portas fechadas.
 Neverland! Insisto, continuo escrevendo palavras, verbos, onomatopéias suspeitas, sujas...que ninguém sabe ler.
Ah! As onomatopéias, eu as adoro quando tiram um cochilo em plena tarde de inverno.
Respeitável público quando as luzes do teatro se apagarem gritem até as suas cordas vocais se arrebentarem.
Aviso importante:  Nunca grite para dentro, grite sempre para fora.
Agora estou sem palavras que signifiquem alguma coisa. Por que as palavras têm sempre que tem significado? Outro significante... Onde fica? Na vagina? No ânus? Na boca? Depende da sua sexualidade.
Ei, Myriam, você tem certeza que é mulher com M maiúsculo?
Para não perder o compromisso, uma moça me pergunta quanto custa o poema pedra. Ao invés de dizer o preço, eu sugeri que ela distribuísse bolas de aniversário com poemas dentro.
Dentro...
O que tem dentro da gente?
Há momentos que eu me sinto oco, vou para livraria e namoro os livros até ficar protegido totalmente pelos anjos que ali moram.
Viver dói.
Caminhar engorda e meu guarda-chuva não me protege da chuva.
Gracias a los Dios!




CAMINHANDO PELA CORTE #2



Rio, uma cidade de destinos. Rio é uma cidade de destinos, de encontros inventados às 16h. Vinte e dois graus celsius marca o relógio eletrônico em frente ao edifício condor. Árvores a perder de vista pelo Largo do Machado. Hoje eu estou no Rio, um caminho de muitos matizes. Morrer de coração era o sonho de todo romântico. Ave Romeu! Ave Julieta! O caminhar senhores às vezes se dá pela imobilidade. Ficar simplesmente parado, ouvindo-vendo-sentindo os transeuntes urbanos. Ainda continuo diante do Largo imenso aglomerado.  Na verdade em frente à praça do Largo. Recordo-me que certa vez uma imagem me inspirou a uma foto. Muito delas são imaginárias, mas a minha sorte é que eu estava com a máquina na mão.
O mundo é muito Appeal. Silêncio. Quanta custa o preço do chapéu? Custa R$ 20,00 respondeu-me um latino-boliviano-peruano-colombiano. Minha originalidade não me deixa comprá-lo, quero ser diferente. Espero ansiosamente um grande amigo. Bater um papo num café. Encontro que não se vê mais hoje em dia. Aqui no Rio isso não é coisa só do passado. Encontrar um amigo para tomar um café é um evento especial na vida. Esses encontros, caríssimos senhores, transcendem o tempo e o espaço. Fica registrado nas estrelas. Quando e aonde vamos nos encontrar de novo? Não importa. Sou íntimo de mim mesmo. Este meu amigo é muito validador. Otimista. O pior já passou. Agora você está na melhor das energias: você. Eu? Sim, você é o seu melhor projeto. Um abraço. Eu gosto muito do Rio. As lembranças de infância são as melhores.

Alguma vez experimentou dormir em um hostel. Quarto coletivo com 22 camas costuma custar mais barato. Não deu tempo de conhecer os meus companheiros de quarto. Vivenciamos uma coletividade discreta e silenciosa. Nos falamos sem fala. No outro dia, na Rua Hadock Lobo, Bairro Afonso Pena, em cada esquina uma guardiã do tempo, senhoras sentadas em seus bancos altares. Rezam por aqueles que passam. Babuciam palavras incompreensíveis. Devo lembrar que é Domingo. As guardiãs gostam também de ficar em frente aos templos religiosos da Rua Haddock Lobo. Um viaduto testemunha o trabalho-tempo das guardiãs.  O que fazem exatamente? Os transeuntes urbanos da Rua Haddock Lobo, já estão acostumados com a presença das guardiãs. Da janela da Escola Municipal Mário Claúdio ouço em “silêncio pré-concurso da multirio” a loja do Popeye – vender artigos de São Cosme e São Damião. Sirenes de Ambulância. Estou no terceiro andar na sala 20 numa carteira encostada a janela, por isso o testemunho indiscreto. Para escrever uma crônica urbana, a indiscrição tem que estar presente. O rio é uma cidade de destinos inventados.






DANDO UMA VOLTA EM VOLTA REDONDA


Dessa vez sem retratos, apenas pintura. A realidade dói, por isso fantasiamos tanto a nossa vida. Dando uma volta em Volta Redonda, primeiro vou com muita fome no Espaço das Artes Zélia Arbex, em cartaz uma exposição do Ateliê Tânia Corsini. Vendo os quadros dos seus alunos, dá para se ver que é uma escola de pintura, refiro-me a uma escola de tendência. A mestre influência várias pinceladas presente nos trabalhos de Marly Rosa e Martha Costa. Dois adolescentes fêmeas que olhavam para um quadro dão uma gargalhada debochada. Isso é Arte? ___Sim, isso é Arte. Respondo mentalmente. Para entender a Arte é preciso estar numa vibração diferenciada, entendeu? Num nível de intelectualidade bem mais avançado, não estou falando de conteúdo enciclopédico escolar, e sim de sensibilidade humana. Não entenderam nada nê.
Eu para dizer a verdade, detesto pinturas feitas em Ateliês de pintura coletivos com foco acadêmico, mas confesso que este Ateliê me convence por toda hora, a pensar que boas pinturas são feitas também nestes ambientes normáticos.
Clavir Spinola tem um olhar quase microscópico da natureza, fazendo-nos ver minúcias que não acostumamos ver no nosso dia-a-dia. A gentil Roseli Freitas nos seduz ao mundo da infância. Lindos quadros, decorativos e de traços refinado.
Sabe uma coisa que eu observo nos centros urbanos? Os espaços culturais são refúgios. Quando estiver se sentindo sufocado, procure desesperadamente um espaço cultural.



  

Cada crônica que eu escrevo é um caminho.

Cada caminho que eu faço é uma crônica que eu escrevo.








CAMINHADA URBANA


Urban Hiking, a caminhada urbana, é mais comum do que a gente imagina. Em tempos remotos, os nossos antepassados costumavam chamar esta caminhada urbana  de “dar uma passeada”, “olhar as vitrines”, “vê as modas na rua”. Recordo-me que a minha vó costumava me chamar para andar pelo centro da cidade de Campos dos Goytacazes. Olhar o movimento. Eu adorava. Cresci praticando a caminhada urbana sem saber.  Várias vezes, imerso em obsessões e perturbações mentais, eu gostava de andar pela cidade, para “espairecer as idéias”. Na verdade toda vez que a gente resolve conhecer a cidade, tristes ou alegres, com os nossos próprios passos, sem carro e com muita disposição, podemos chamar de caminhada urbana. Somos dentro de um contexto urbano, seres que caminham. Somos potencialmente caminhantes urbanos. Com o advento da automóvel fomos nos tornando “preguiçosos”, sedentários. Até pra ir a uma padaria na esquina, ligamos o carro. Em tempos de sustentabilidade ambiental, engarrafamentos, poluição e tudo mais,deveremos repensar as nossas atitudes e começar a colocar no nosso cotidiano a prática do Urban Hiking. Se quiser praticar entre em contato conosco.



Até breve.



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