domingo, 28 de fevereiro de 2010

SER ARTISTA

O estado de ser artista me ajudou a sobreviver ao universo da negação, do sofrimento, do drama e do medo. Eu ficava com receio de ficar sozinho, caso assumisse o meu ser artista. Tentava me convencer de que ser artista é coisa de criança. Tá bom, mas também é coisa de adulto. É preciso ter coragem de ser artista e não entorpecer a minha criatividade. Muitos artistas não aguentam a pressão social, emocional e familiar e acabam se tornando adictos de drogas alucinogenas. Ser artista era sinonimo de abandono, de solidão, contudo eu só vou estar comigo quando eu estiver sozinho. Não há solidão. Há inteireza.

Adulto, eu tenho o direito de escolher.

Chega de enxergar o mundo com os olhos do medo.

Em qualquer escola deveria ter tinta, lápis de cor, giz de cera à vontade para o aluno se expressar. Acredito numa escola da criatividade. Estimular a criação, a construção é o que eu acredito. O ser humano foi feito para construir (Cosmo) , e não para destruir (Caos), O que nos estamos fazendo é uma escola da reprodução, da destruição. Não construimos, copiamos. A arte serve para transformarmos as nossas crenças, a nossa domesticação. Precisamos evitar que nos entreguemos sem senso crítico a “domesticação”. Este é o sentido da minha arte. Contribuir para um ser humano melhor, menos domesticado pela sociedade. Esta é a grande função social da arte. Eu preciso dizer para mim que isso tem valor.

Dê esse grito: Basta! Não pretendo mais ser o grande juiz que está sempre contra mim. Não pretendo mais bater em mim mesmo e me fazer sofrer. Não farei mais o papel da vítima.

Rudi Rot