Proposta Editorial

proposta editorial

 “Alguém pode ser conhecido como escritor apesar de nunca ter escrito um livro; ou, se o livro foi efetivamente escrito, apesar de não ter vendido nada;ou, se foi vendido, apesar de não ter sido lido; ou, se foi lido, apesar do fracasso em mudar alguma coisa. Alguém pode vender muitos livros e não ser famoso, ou exercer considerável influência sem ter escrito muito.”(Zaid: 52)

O que é

Uma biblioteca pessoal perambulante num formato de mala de viajante que ao mesmo tempo guarda e expõe os livros artesanais editados pelo artesão de palavras Rudolf Rotchild. Contém obras para o leitor infantil, jovem e adulto, além de trabalhar sob encomenda possibilitando a criação de livros personalizados.

Edição Artesanal

O objetivo editorial da maloteca é redimensionar o artesanato-arte que era feito nas corporações de ofício(associações que regulamentavam o processo produtivo artesanal) da Idade Média através de variados formatos e suportes dos incunábulos (nome dos livros antes de 1500) e revalorizar os livros, daquele período, que eram produzidos à mão por escribas-copistas e impressos por artesãos-ourives pela tipografia gutenberguiana (tipos de metal e tintas à base de óleo), ou seja, onde os mesmos eram publicados de forma praticamente artesanal. 

A prensa manual, semelhante à utilizada na fabricação de vinho, compunha os tipos, a encardenação era costurada e as ilustrações da capa eram feitas por pintores. É objetivo, também, adotar uma estética popular, rústica, mas que valorize o propósito artesanal da editora.

Assim pretende-se caminhar independente do “mercadão” editorial, utilizando licenças autorais nos moldes do Criative Commons (CC) e do Copyleft, possibilitando ao escritor desconhecido um baixo custo na publicação personalizada dos seus manuscritos, com pequenas tiragens, sendo feita de acordo com a demanda, evitando prejuízos e ostracismos para quem está iniciando na arte de escrever.

A maloteca editora artesanal atende todas as etapas de processo editorial tradicional: recebe os manuscritos, transforma-os em livros, garante a divulgação e os vende de forma alternativa, utilizando recursos midiáticos como blogs, sites, e-mail´s e parcerias de consignação.

Entenda as licenças citadas acima:

 Criative Commons (CC) - Entidade sem fins lucrativos criada para permitir uma flexibilidade na utilização de obras protegidas por direitos autorais. 

         O copyleft é um tipo de licença que permite reprodução livre de sua obra e, ao mesmo tempo, garante ao autor o reconhecimento e prestígio da sua realização.


Acesso aos jovens escritores , as editoras artesanais e aos leitores 


O livro era um tesouro, tinha um valor e, infelizmente, não era acessível a todos. Antes da imprensa, só a nobreza e o clero tinham acesso à leitura e ao conhecimento dos livros, por condições econômicas e de poder. 
Ademais a editora pretende viabilizar, organizar de forma despretensiosa, uma associação de jovens escritores-artesãos e/ou editoras artesanais como faziam as corporações de ofício, possibilitando um auxílio mútuo e proteção dos seus interesses (procedimento corporativo), de modo a enfrentar as adversidades profissionais que possam surgir no percurso. Contudo, a superioridade dos mestres tão comum nas corporações, aqui será rompida. Todos terão os mesmos direitos e deveres.
Teremos como princípio a organização. O trabalho artesanal poderá ser feito, por cada escritor-artesão no interior de sua oficina e/ou ainda pela maloteca. A divulgação e comercialização será feita por pessoas e por estabelecimentos comerciais parceiros, em consignação, utilizando um expositor específico num formato de caixote ou de uma sacola. A capacidade criativa será evidenciada pela originalidade e pela diversidade, rompendo com a padronização e homogeneização. O apreço pelo trabalho feito pelas mãos da pessoa humana é o que existe de maior valor na maloteca editora artesanal. 

Compromisso ecológico

Os materiais utilizados na confecção dos livros coloca em discussão o consumismo e as conseqüências ambientais que dele podem advir, salientando uma consciência ambiental e de consumo.
A editora buscará o reaproveitamento das folhas descartadas nas fotocopiadoras, que na maioria das vezes, são jogadas fora sem nenhum processo de reciclagem. Registra-se que os escribas medievais reutilizavam as páginas manuscritas – os palimpsestos – cujo conteúdo era apagado mediante lavagem ou raspagem e escrito novamente.
Não se pode deixar de evidenciar que a contribuição com a redução da monocultura do eucalipto, pois menos árvores serão plantadas para a fabricação do papel, evitando de forma muito singela o “deserto verde”. A velha história de contribuir para salvar, com gotículas, a floresta do incêndio.

Conversação

A conversação “pregada” por Gabriel Zaid, no livro “Livros demais! Sobre ler, escrever”, é elemento importante na escrita, na produção e na divulgação dos livros. Contraria a desconfiança de Sócrates que acreditava que os livros eram inferiores a conversação. O livro é a colheita de um processo criativo. Um conceito novo de leitura, de edição e de consumo. “Cultura é conversação. Escrever, ler, editar, imprimir, distribuir, catalogar, resenhar podem ser o combustível para essa conversação, modos de mantê-la viva. Pode-se mesmo dizer que publicar um livro é inserir-se no meio da conversa, que montar uma editora, uma livraria ou uma biblioteca é iniciar numa conversação. Uma conversação que nasce, como deve ser, do debate local, mas se abre, como deve, a todos os lugares e tempos.”(Zaid: 35)
Deste modo, outro propósito da maloteca editora artesanal é viabilizar a conversação. Organizar o mundo dos livros é como organizar uma conversa.


BIRD ESTÁ LIVRE #2