domingo, 30 de novembro de 2014

INTIMIDADE




Intimidade é para poucos.

A cozinha da sua casa é um território.
Intimo.
Não deixe nenhum estranho entrar na sua cozinha.
Duskrtinas (os canalhas) obsediam a tua luz?
Impossível.
Somos protegidos por Sri Narasimha Deva.
Valente!
Misture Ghi, Chapati e bonequinhas russas.
Talento de sovar a massa integral.
Silêncio: o cale-se mais perto.

Intimidade é para todos. 

A utopia do ser humano está em acreditar na humanidade.
Guardem todas as panelas, por favor, guardem todas as panelas,
os duskrtinas estão chegando em seus carros de IPI reduzido, quase zero.
Que os temperos sejam envenenados até perderem o gosto.

Intimidade não existe. 

Acordemos com olhos de coruja.
Gritemos por que o mundo que conhecíamos acabou.
Não vejo nada na minha frente.
Fecho em mim mesmo.
Converso com o meu umbigo.
Aqui os duskrtinas não tem força.
Olhemos para o lado, estamos em uma cozinha desconhecida.
Azulejos embolorados.
Geladeiras enferrujada
Armários sem porta.
Talheres sujos.
Resumindo: um pouco de trigo, uma pitada de sal, um saco de açucar
e muita (alegria) purpurina de estrelas.

Vêm amor, o café tá pronto!



29/11/14.

domingo, 17 de agosto de 2014

MEDUSAS DA EDUCAÇÃO


São elas as culpadas.
Querem nos fazer de bobos da corte.

Quem dera, eu ganharia muito dinheiro.
Matem as medusas da educação.

Seríamos livres para amar.
Aprender com os outros.

E ver que a vida é muito mais do que a gente pensa.

Entrar pela porta errada.
Cuspir na cara dos imbecis e sair correndo para um lugar que ninguém conheça.

Só nos dois num ninho.
Em silêncio.

Estar em silêncio no meio do barulho.

Senhor,
eu quero desenhar nuvens e ser feliz.




quarta-feira, 18 de junho de 2014

ENGOLIDOR DE SAPOS

Engolidor de Sapos

Olhem!
Tá vendo aqueles sapos?
Sem fome, engoli quase todos.
Feios sapos.
Sem gosto algum,
Sem sal,
questão de sobrevivência?!
Condicionamento social.
Não somos obrigados alimentar-se de sapos.

Meu nome é fulano,
tenho...
nunca mais vou engolir sapos.
decidi abster-me deles.
Engorda, faz mal.
As perninhas costumam ficar penduradas no canto da boca.
Gosmento.



Sabe de uma coisa, farei uma sopa de sapos para dar aos meus inimigos -tipo de bruxaria caseira inventada por mim.
                                                                                   
Profetizo: Chuva de sapos cairão sobre a cabeça dos infiéis seres da educação.
                                                                                 
Depois farei jejum até que o último sapo engolido saia de mim, saia de mim, saia de mim...
                                                                                 
Boca, ânus e nariz.
                                                                                   
Sem doce.
                                                                                 
Daí eu comerei dignidade e respeito em pratos livres de abusos.
                                                                                   
Bon Appétit !



quarta-feira, 11 de junho de 2014

A COZINHA...Futuro livro de Rudolf Rotchild


VINGANÇA É UM PRATO QUE SE COME QUENTE

Sinto uma tristeza que não cabe no olhar.
Talvez num bolo de cenoura,
numa cozinha carnívora de vísceras dilaceradas pela raiva.

A existência não me permite romper a ética.
Vou em frente.
Compro um quilo de carne bem vermelha, muito sangue.
Tábua de madeira que é pra abafar o som.
É...
por favor, dá pra chegar pro lado?

Pás! (Onomatopeia de faca cortando a carne na madeira.)
Aceita uma língua?
Crunch! Crunch! Crunch!
Dizem que os nossos antepassados na ausência de animais, comiam-se.
As mulheres faziam sopa.
Os homens...um churrasquinho de esquina.

Tentei mudar o mundo mas ele não quis.
Preferiu ficar oco.
Sem sal, molho e pimenta.
Sem tempero algum.
Só com o gosto de fel na boca.

Então...vê se cala a tua hipocrática vagina.
Moralista. A placa da esquina dizia:
"Procura-se marido com muito dinheiro no bolso,
saúde para dar e vender."

Na cozinha da raiva,
o bolo de cenoura é a sobremesa dos arrogantes.
O veneno se dissolve em cobertura de chocolate.
Prefiro criar a minha própria sorte.
Contar comigo.

E Deus finalmente habita a minha cozinha que é um templo.
A mesa...farta de humildade.
Por favor, poderia passar a faca
para eu arrancar a sua unha?

Brincadeirinha, agora eu só como vegetais.



MICROMARÉ


O microondas
esquenta a comida da vida moderna
a TV com chuvisco, é
onde o tempo controla a vida
um minuto...

O microondas
não fala
não se relaciona
não tempera com amor
não sente prazer.

O microondas
é a mulher-objeto
a boneca inflável da cozinha
fria
não interage
interface da pressa
prisão
sem ritos...cheiro metálico.

O pastor da minha igreja tinha razão:
O microondas é coisa do inimigo.
Comida congelada envenenada.
Cuidado com o rato.
A validade é grande.
A minha sorte é que eu tenho quatro gatos:
Adoram dormir em cima de um microondas.

Já comeram pipoca de microondas?
Na internet podemos comprar por um bom preço.
Facilita vida.
Mas ainda prefiro um fogão de quatro bocas.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

SEXO

(Para Cristiane da Silva)

Em tempo de semeadura
não há cozinha com panelas
a cama é a cozinha
lá se come, come, come...
Antropofagia
Carne com vida

O amor é uma festa de imigrantes italianos
sem luxuária
com intimidade
o uso é o prazer de dar prazer
o gemido masculino
no silêncio do porto
vento...
tradição familiar que resiste
as mudanças climáticas da poluição humana
que não alma nada
só se irrita com o desembarque dos sobreviventes da peste negra
O amor é uma festa de família que embriaga a realidade lucrativa de ser alguém
neste mundo cruel
Salve o doce palha italo-brasileiro.
Sem exageros
é bom colher suculentas frutas vermelhas.

sábado, 7 de junho de 2014

COZINHA ESCOLAR

Estou em uma cozinha diferente
De mesas distantes
Bancos de igreja
É uma cozinha escolar
Onde nos intervalos bebíamos leite com biscoito
Do tempo em tempo
O bucólico se revela em ódio
Daqueles que me impediam de ser criança
Debaixo d´árvores sofro ameaças: vou te pegar na hora da saída
Calado, eu ficava calado
O medo: quer saber, vão todos se fuder.
Educador não pode ter problemas. Não pode explodir.
Então  arranco todas as minhas unhas.
Meus dedos ficam todos feridos.
A comida é requentada.
Eles precisam da minha insanidade.
Acordai pequeninos cidadãos brasileiros.
Espero que sejam assim...
Comida de marmita na cozinha escolar é diferente.
A minha não tem carne.

Bom apetite. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

SEM FOME

Não sei do que falar
Estou cansado da falta de humanidade
Taxistas pedem propina para nos transportar
Viver em sociedade é assim?
Por que os adultos são tão venais.
O amor não existe mais nos corações das pessoas.
Mas você é muito tolo. Na vida, meu rapaz ninguém quer perder dinheiro.
A riqueza me incomoda e me seduz.
O belo só existe por que o feio existe.
Descontrolo-me para andar na linha tênue da existência.
Meu bem, vamos dormir depois do sexo.
Rogo pra São Jorge, rogo pra Narasimha, o deus-leão.
Nos proteja durante o sono.
Coloca as nossas sombras pra dormir.
Boa noite !

quarta-feira, 4 de junho de 2014

ENCHENTE

e a água imundou a minha cozinha
eu existo desde que ela existe
eu quero tapar os meus ouvidos
os gatos miam
a sol late
coçar as mãos dá dinheiro já dizia a minha vó
corre e joga no peito
a água anuncia novos tempos
a água limpa
a água lava os nossos erros

na minha cabeça tem muita coisa boa pra te dar
é só aguardar
ouvir o silêncio: kings of convenience
e textuo aqui e agora
essas palavras que saem como música
parece um sapateado nunca visto

vamos deixar a água nos limpar de uma vez por todos
o mundo des-água
imaginamos rios e cachoeiras
aquela mensagem...
deixa pra lá
vamos amar como nunca
prepare o suco de abacaxi com hortelã
pizza de grãos
fome pra dentro d´alma
amanhã a vida continua nua
que roupa iremos colocar?
Dormir e acordar....


domingo, 11 de maio de 2014

YASHODA

Sim.
A chuva me deixou dormir.
A voz forte da minha mãe me  acordou.
____Vem filho, o café tá na mesa.
Eu preciso aprender a doar carinho como Emília.
Não importa se o filho é um cachorro, um gato...
Deus ama a todos sem distinção.
A mãe tem suas preferências, pois cada um é diferente do outro.
Não dá pra ser igual.

Faz um frio de aconchego.
Lembro bem das histórias que me contava,
das canções de ninar...
As mamãezinhas de hoje são tão apresadas.
Mal ferve o leite e tem que ir trabalhar.
Não é fácil.
Creche. Trabalho. Creche.

Bom, vamos passear um pouco.
Hoje é o seu dia. Aonde você quer ir?

____Filho, eu prefiro ficar em casa. Quero te sentir em meu ninho.
Pode trazer os netinhos.
Farei pipoca e um carinho daqueles.



Em homenagem a todas as Mães da Terra.
Em especial para Celisa Costa Pinto Cavalcante

segunda-feira, 7 de abril de 2014

ROBSON E A SUA DESERTA ILHA (Relato de um jovem dependente do Crack.)

Acordei no chão da calçada como se eu fosse um barco naufragado. Todos os meus amigos estão mortos-vivos, compulsivos em pedras sem brilhos que são fumadas em cachimbos feitas de lata. Nunca vi algo tão horroroso e destrutivo. O sol escaldante batia em minhas costas. Olhei ao meu redor e não vi ninguém conhecido, estaria numa ilha deserta? Estava sujo, com sede e fome, sentindo-me abandonado. Tornei-me invisível. Falava com as pessoas, mas ninguém me respondia, ninguém me dava atenção. O medo começou a me tomar conta. Aquela pedra sem brilho algum... recordava-me que a tinha tocado com os lábios. Pura lascívia do diabo. Isso tudo para tentar ter coragem para chegar numa mina que há muito tempo eu olhava na escola. A biga de cigarro que observava no canto do paralelepípedo me convidava para uma fumada. Distrairia a minha fome por um tempo que parecia não passar. Horas, minutos, segundos não tinham mais sentido. Mesmo sentindo muito frio, tratei de arrumar um canto qualquer para dormir. Debaixo da ponte onde o rio passava estreito. Natália cadê você? O sono demorou a chegar. Noutro dia ainda com muita fome tentei encontrar os caras que tinham me apresentado à pedra sem valor e sem brilho algum. No lugar onde eles estavam só encontrei um cachorro velho, uma gata manca e diversas balas estragadas que não serviam para nada. Nem para por em cima da linha do trem para serem estouradas. Existe um lugar que os invisíveis frequentam e não incomodam, fazem até um favor para a sociedade. Estou falando do Mercado Municipal. Lá tem umas frutas e legumes que ficam pelo pátio à vontade. Quanto mais a gente cata, menos sujeira fica. “Meu futuro não parecia tão bom... Na verdade prometia ser triste, com poucas esperanças de salvação.” – Estava escrito num pedaço de papel de açougue sujo de sangue de carne. Será que tinha mais alguém nessa ilha? O maluco que escreveu isso, falava exatamente como eu estava me sentindo. Apesar da fome ter passado por hora, desanimado chorei muito, mas nenhuma lágrima saia dos meus olhos. Estaria desidratado? Seco por dentro? Subitamente senti uma raiva de Deus: Foda-se o pai eterno. Por que ele me abandonou? Por que ele deixou que esta tragédia abatesse sob a minha vida? Eu não consigo entender. A única coisa que eu pensava era em fumar aquela pedra de novo para suportar a dor de não tê-la por perto. As alucinações tomavam conta de mim, o rio tinha se transformado em uma grande cobra amarela, todos aqueles que tentavam me ver ficavam cegos como se eu tivesse cabelos paralisantes como Medusa. Arrebatamento? Não, eu não quero morrer aqui no meio da rua, sozinho. Eu não quero morrer. Não, eu não quero... Outra noite se aproximava, mas muito mais assustadora. A solidão tomava conta do meu ser, de todo o meu ser. Quem eu podia recorrer? Um pássaro branco parecido com uma pomba pousou em meus ombros como quem pousa nos ombros de uma estátua da Praça Conselheiro Rodrigues Alves. Seria a paz? A presença da paz? Olhei para o lado e vi a minha família se aproximando, por um instante achei que estivesse sofrendo novamente aquelas desastrosas alucinações. Eu não acreditava no que estava acontecendo. Depois de algumas péssimas horas nessa deserta ilha, a minha família guiada pelos ventos da Mãe Natureza conseguia me resgatar. Esperança...


 Rudolf Rotchild

domingo, 16 de março de 2014

LUTO: MORRE UM ARTISTA.

DESPEDIDA "Quando um artista morre, é um pouco de Deus que morre em mim!" A tristeza será recompensada com Justiça. Prepara o outro mundo pra gente. Prazer em conhecê-lo. Quando quiser, dê um jeito de aparecer. Há tempo que a gente não se fala. As bestas feras em jaulas evocarão a liberdade que um dia destruiram. Ó rei Davi, a tua coragem está além de famintos leões. Lembra daquele dia em que teve que reinar uma cidade, só pra dar encanto aos excluídos? Uma coragem de Golias que a sua antropofagia deu conta de ingerir de jeito bem lento e doce. Vá, em breve estaremos juntos em outro reino. Prepara-o pra gente. Convida Mário, Cakinho, Beto, Telmo, Marcelo... Aquele povo sedendo de alegria. Prometo: seremos por um dia palhaços na vida. E quer saber? O carnaval será todos os dias do ano. Conviveremos com a loucura como se ela não existisse. Reinventaremos outra forma de viver, de sobreviver. Ó rei Davi, olhai por nós ai de cima. E viva, viva muito, por que você merece. Poema instintivo feito em memória do artista David. Rudolf Rotchild

sábado, 15 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

CARNAVAL, O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA.

Disponibilizo link para divulgação e apreciação. Mais uma produção literária da Maloteca.

Carnaval, o maior espetáculo da terra.

ZINE USINA CASEIRA

USINA CASEIRA

Espero que vocês apreciem e divulguem. É só clicar no link acima.
Uma produção da MALOTECA.


Licença Creative Commons
O trabalho Usina Caseira de Rudi Rot e Cristiane da Silva está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

LANÇADO O ZINE USINA CASEIRA

Foi lançado neste último sábado, 01/02/2014, o zine Usina Caseira. Uma produção da Casa-Atêlie e a Editora Artesanal Maloteca. Confira !