domingo, 29 de setembro de 2013

CRISÁLIDA


Para Joaquim Maria Machado de Assis, 105 anos do seu falecimento.



De Assis no largo que reúne machados.
Longos anos idos.
Escritas mulatas de um homem que viveu para uma mulher.
Passo, passo, passo...
E num túnel que não existe
do tempo,
do vento...
As memórias que revelam a sua identidade
Negro puro brasileiro,
misturado, favelado, sem escola,trabalhador infantil
Tudo isso fui ignorado
Cresceu autodidata
E as mulatas?
Preferiu Carola
Mãe, irmã e esposa
Moça diferente das outras
Pensamentos românticos em folhetins
Vai Joaquim...
Não lamenta a sua saúde lúgubre
Poesia se faz pelos caminhos do Cosme Velho
Olhando para o Corcovado, o Cristo Redentor que ainda iria chegar por ali
Queimar cartas espanta o mal, exorciza os versos, se faz dom divino.
Entre uma palavra e outra, vendeu mistérios para republicanos despreparados, desesperados
Ordem? O que importa é a idade do húmus
que é feito de barro, água e sal.
Finalmente a linda borboleta  prateada e azul rompe a crisálida
E quando vou paras as nuvens, metalizo o Eterno.




Rudi Rot